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quinta-feira, 29 de maio de 2014

Inflação e eleição levam confiança de brasileiro de volta a níveis da crise

As incertezas sobre o futuro da economia e o descontentamento com a situação atual têm levado os indicadores que medem a confiança do brasileiro a níveis abaixo das médias históricas e próximos aos da crise financeira de 2008.

O avanço da inflação, a indefinição do governo depois das eleições de outubro e até os protestos contra a Copa têm abalado a confiança de forma generalizada, atingindo tanto o humor dos consumidores quanto dos empresários.
“A percepção é que a situação piorou e está piorando. Diante da inflação alta, as pessoas ficam pessimistas, o poder de compra diminui. O pessoal tem a noção de estar num limbo”, diz o professor de economia da Universidade de São Paulo (USP) Davi Simão Silber.
Entre todos os indicadores que mostraram retração, o que mede a confiança do consumidor, calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), registrou uma das maiores baixas. Em maio, os brasileiros ficaram mais preocupados com a situação financeira da família e, com isso, o índice caiu 3,3%, passando de 106,3 para 102,8 pontos – o menor nível desde abril de 2009. Com esse resultado, o indicador manteve-se abaixo da média histórica, de 116,4 pontos, pelo 16º mês consecutivo.
Os indicadores de confiança têm como referência o valor 100. Quanto mais acima dele estiver o índice, mais positiva é a percepção da população.
Se o consumidor brasileiro não está muito otimista, o paulistano, especificamente, está menos ainda. Segundo pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), em maio, a confiança do consumidor paulistano recuou 25% na comparação com o mesmo mês de 2013. Foi a maior queda desde o início das pesquisas, em junho de 1994.
“Percebemos esse clima de insatisfação em todas as metrópoles. As manifestações acabam influenciando o humor das pessoas. Para se chegar ao trabalho, a um hospital é uma luta. Além disso, a percepção, principalmente aqui em São Paulo, de que os preços dos alimentos estão cada vez maiores afeta o consumidor, afeta as empresas”, afirma Silber. 

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